Gazeta Regional Catullo Fernandes

Violonista camaquense morre em Caxias do Sul


23/07/2017 -

O jovem e talentoso músico camaquense Daniel Lopes de Barros, 31 anos, faleceu no dia 14 de julho, em Caxias do Sul, vitimado por um câncer no pulmão. Neto do tradicionalista e comunicador Bonifácio Barros, que recentemente completou 80 anos, o violonista era filho do cantor Daniel Barros e de Suzana Lopes Cristiano, além de ser sobrinho do poeta Bira Lopes, e ter contado com a amizade franca do padrasto João Carlos Cristiano.

Natural de Camaquã, onde nasceu em 03 de novembro de 1985, ele estudou na escola São João Batista e no Colégio Sete de Setembro, e nesta época descobriu o violão. Muito humilde e dedicado ele sempre falava com carinho de seus professores Álvaro Santestevan, Adoiles Pacheco, Joãozinho Índio e Daniel Sá.

Embora com pouca idade começou cedo a dar aulas do instrumento, e teve muitos alunos em Camaquã, Farroupilha e Caxias do Sul, onde formou-se em Administração. Em sua trajetória integrou vários grupos nativistas, e conquistou inúmeras premiações em concursos de violão, representando o CTG Camaquã, os Guapos e o CTG Sentinela Farroupilha.

Com o irmão Maurício Lopes de Barros formou uma dupla nativista apresentando-se em diversos eventos, e durante sete anos tocaram no Paiol Espaço Nativo, em Caxias do Sul. No ano passado esteve no programa Sr. Brasil da TV Cultura (SP), apresentado pelo ícone da cultura brasileira Rolando Boldrin. Na oportunidade juntamente com os músicos Rafael De Boni (acordeon) e Airton Lima (baixolão), ele acompanhou seu pai o cantor Daniel Barros.

Atualmente, Daniel trabalhava na condição de funcionário público na prefeitura de Farroupilha. Na Casa da Criança ele atuava como professor de música ensinando crianças e adolescentes a tocar vários instrumentos musicais. Ele parte deixando a esposa Vanessa Novaski e o pequeno Otávio Novaski de Barros.  Um violão que silencia no momento em que o jovem pai mostrava os primeiros acordes para o filho que tanto sonhara ter.

Foto: Divulgação

Ballet Studio Deise Lemos shows e aulas de dança


06/07/2017 -

O Cine Teatro Coliseu foi palco na noite de 28 de junho, de um lindo espetáculo de dança, dentro do projeto “Santo de casa faz cultura”, com realização da Secretária Municipal da Cultura, Turismo, Lazer, Desporto e Juventude. O show “Dança Ballet Studio Deise Lemos” reuniu as alunas de 02 a 20 anos, que se apresentaram dançando músicas clássicas e jazz. O estúdio também participou do jantar-baile dos 45 anos da APAE realizado na noite de 1 de julho, no Clube Camaquense.

O evento no Coliseu contou ainda com a participação especial do cantor e dançarino Ivo Lemos, os intérpretes e músicos Natan Lemos e Enio Junior, com um repertório mesclando MPB, reggae e sertanejo. No encerramento a bailarina e professora Deise Goris Lemos (foto) mostrou toda sua versatilidade dançando samba na ponta pé. As aulas no Ballet Studio, com turnos na manhã, tarde e noite ocorrem de segunda a quinta-feira, no Colégio Contemporâneo. Contatos pelo fone 9955. 22313.

Foto: Divulgação/GR

 

Os 25 anos da fogueira gigante


23/06/2017 -

A festa dedicada ao padroeiro São João, com organização da Prefeitura Municipal, teve início em 1992, idealizada pelo prefeito José Cândido de Godoy Netto, que inclusive mandou vir técnicos de São Paulo para construir a primeira fogueira gigante do município, que media cerca de 30 metros de altura. Poucos dias antes da festa, Camaquã foi assolada por uma grande enchente, e a repercussão com os gastos do evento ganhou editorial na Zero Hora com o título “A fogueira das vaidades”. A manchete, no entanto, só serviu para promover a festa, que foi um sucesso de público lotando o Centro Municipal de Esportes Wadislau Niemxeski.

A partir do ano 2000, na gestão do prefeito João Carlos Machado, a festa passou para o Complexo Poliesportivo Ruy de Castro Netto - a Prainha, um local mais espaçoso e seguro, visto que o evento conta com show pirotécnico, uma das principais atrações da promoção junina juntamente com a fogueira gigante, que a partir dali passou a ser colocada no lago artificial, tornando-se a única no Estado a ser montada dentro d’água.

As festas juninas antigamente chamadas joaninas tiveram origem em Portugal. Em suas pesquisas em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, os historiadores Barbosa Lessa e Paixão Cortês identificaram a origem das fogueiras e seus significados, com descrição e ilustrações publicadas na obra “Festejos do Ciclo de São João na Tradição Gaúcha”, de Paixão Cortês, onde está registrado: Santo Antônio (13 de junho - fogueira quadrada - chiqueirinho), São João (24 de junho - fogueira redonda) e São Pedro (29 de junho - fogueira triangular).

Em Camaquã, no mês de junho, a Paróquia de São João Batista promove a Novena do Padroeiro no período de 15 a 24 do corrente mês, assim como escolas e entidades também organizam festejos populares. Todos sem exceção montam fogueiras com a base redonda conforme a tradição e que identificam São João.

No entanto, desde 1992 até a presente data um pequeno detalhe foi esquecido pelo poder público - o formato das fogueiras - nenhuma tem a base redonda que identifica São João. A primeira fogueira gigante tinha formato tridimensional mais identificada com São Pedro, enquanto a atual sobre a água é totalmente quadrada lembrando Santo Antônio. Mas como cultura e folclore, segundo alguns, são detalhes que não podem ser ignorados, há 25 anos vamos dando um “Viva São João” para São Pedro e Santo Antônio, afinal todos eles são santos juninos, e por certo perdoarão a gafe.

Foto: Arquivo Criarte

Autores camaquenses participam da Feira do Livro de Guaíba


07/06/2017 -

No período de 26 de maio a 04 de junho, na Praça Dr. Gastão Leão aconteceu uma movimentada programação alusiva a 28ª Feira do Livro de Guaíba. O evento, que teve o poeta e ensaísta Armindo Trevisan como Patrono, é uma parceria da Prefeitura Municipal e do Sistema Fecomércio Sesc Guaíba.

Na linda tarde de sol de sábado (03), três artistas camaquenses participaram da feira. O poeta e pesquisador Catullo Fernandes autografou sua obra infantil “Bicho fruta”, que teve uma ótima acolhida. A sessão de autógrafos contou ainda com um pocket show de Luana Fernandes e Álvaro Santestevan, que apresentaram poemas musicados de Fernando Pessoa, Mario Quintana e Cecília Meireles. Entre os amigos, além das crianças presentes ao espaço infantil do Sesc, familiares do autografante que residem em Porto Alegre, os poetas Silvio Santestevan e Eleana Roloff, professora guaibense, o jornalista Leandro André e Cristina, diretores da Gazeta Cetro-Sul, e a fotógrafa Antônia Teixeira.

Na oportunidade os autores foram recebidos pela secretária de Turismo e Cultura, Cláudia Mara Borges, a secretária da Educação, Virginia Guimarães e pelo coordenador da Biblioteca Municipal Darcy Azambuja, José Renato Leão, além de uma equipe muito atenciosa da SME e do Sesc.

No bate papo na rádio da feira, Catullo Fernandes trocou experiências com o professor residente em Guaíba, Ivo Mulinari, que fazia sua estreia com o livro infantil “A aventura do porquinho Danado”. O evento possibilitou também o reencontro do escritor com a contadora de histórias de sua infância Abigail Ferraz de Sales - Nega Bega ou Tia Biga, que inclusive tem dedicatória impressa no livro. “Esta querida - uma lembrança boa de 45 anos atrás - tem praticamente a mesma idade de minha mãe Natalina, que também a reencontrou através da feira. Só por isso já valeu muito a pena ter vindo, grato a todos pelo convite”, resumiu.

Na avaliação da secretária de Turismo e Cultura, Cláudia Mara Borges este tipo de atividade promove na prática a aproximação dos municípios no roteiro Caminho Farroupilha. “Vamos conversar com as prefeituras de Camaquã e Cristal para criarmos juntamente com Guaíba um roteiro entre as três cidades”, antecipou. Oportuno lembrar que o atual prefeito José Sperotto, quando deputado, foi o autor dos projetos “Guaíba Berço da Revolução Farroupilha” e “Camaquã Terra Farroupilha”.

Fotos: Criarte/Divulgação

Cruz missioneira de São Miguel tem lançamento oficial


26/05/2017 -

A Secretaria da Cultura, Turismo, Lazer, Desporto e Juventude realizou na noite de 16, no Forte Zeca Netto, a abertura da 15ª Semana de Museus, buscando consolidar atividades nesta importante área de estudos históricos. Para abrilhantar o momento foi feito o lançamento oficial da Cruz Missioneira de São Miguel, que a partir de agora poderá ser visitada no Museu Divino Alziro Beckel. A peça foi descoberta, em 2010, pelos irmãos Édison e Éder Hüttner, durante uma visita à cidade onde a família reside. A peça estava parcialmente oculta na gruta onde são feitas preces e acendidas velas na Praça Santa Cruz.

Édison, que coordena os estudos sobre Arte Sacra Jesuítica-Guarany da PUCRS, em seu primeiro contato com a cruz, se fixou numa inscrição na sua haste horizontal: em letras cinzas se lia HSPN. Pesquisando a sigla concluiu que as letras eram usadas nos meados do milênio passado para abreviar Espanha (o H é de Hispania em Latim). Mas isso não bastava, era preciso a comprovação. Uma litografia (desenho transformado em gravura em óleo) de 1846, assinada pelo francês Alfred Demersay, e que mostra a cruz no alto do templo em São Miguel, provavelmente atingida por um raio, foi outro grande passo para a confirmação.

Em maio de 2013, a cruz de 26,4 Kg foi desenterrada e levada a PUC, onde foi submetida a uma precisa medição, que concluiu que as dimensões do objeto de ferro de 2,24m x 1m11cm batiam exatamente com as da litografia. Além da comparação dimensional, foi retirado da cruz material para análise comprovando-se que é o mesmo encontrado nas peças fundidas nos fornos da Redução de São João. A apresentação oficial da descoberta foi feita em 17 de setembro de 2013, no Cine Teatro Coliseu, quando foi anunciado que a cruz havia sido registrada como Patrimônio do Município.

Em 2014, uma réplica da cruz foi devolvida a gruta da Praça Santa Cruz, enquanto a verdadeira manteve-se guardada, sendo agora liberada sua exposição permanente no Forte Zeca Netto.

A cruz, forjada há quase 300 anos, foi colocada na pequena gruta quando foi fundada a Praça Santa Cruz, em 1959. Originalmente, no entanto, ela foi instalada num local próximo de onde foi identificada – provavelmente a Caixa D’água da Corsan ou no terreno onde se localiza um tradicional açougue do bairro, oriunda possivelmente do ciclo ervateiro dos séculos XVIII e XIX, quando carreteiros percorriam a chamada Rota da Erva-Mate. “Esta cruz é um patrimônio cultural e religioso de Camaquã e merece ser visitado por toda a comunidade regional, podendo inclusive ser tornar um monumento turístico”, ressaltou Édison Hüttner.

Foto: Divulgação Criarte

COLUNISTA

Catullo Fernandes

Poeta, editor e pesquisador Diretor da Criarte Marketing & Eventos

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