Gazeta Regional Catullo Fernandes

Os 180 anos da chegada de Garibaldi nas ilhas do Camaquã


10/09/2018 -

Para marcar a passagem dos 180 anos da chegada de Giuseppe Garibaldi no Rio Grande do Sul, um dos protagonistas no cenário da Revolução Farroupilha, a Criarte Marketing & Eventos através do produtor cultural Catullo Fernandes, apresentou na noite de 04 de setembro no Teatro do Sesc, o espetáculocultural “Garibaldi e o rio Camaquã”, com Luana Fernandes e Trio Cuerdas Y Bombo. O show também será apresentado no encerramento da Semana Farroupilha, no dia 20 de setembro às 17 horas, no Acampamento Farroupilha, no Parque Harmonia, em Porto Alegre.

Corria o ano de 1838, o terceiro do decênio farrapo (1835/1845). Vindo do Uruguai onde esteve preso e acabara de ser libertado, e dirigindo-se a Piratini - primeira capital farroupilha - o marinheiro italiano Giuseppe Garibaldi (Nice - 4 de julho de 1807 / Caprera - 2 de junho de 1882) se encontra com Domingos José de Almeida, um importante líder farroupilha, que comandava os custos operacionais da revolução, lembrando que nesta época o general Bento Gonçalves encontrava-se preso. Garibaldi recebe a incumbência de montar um estaleiro na foz do rio Camaquã, localidade da Charqueada, que existe até hoje, e encontra-se no atual distrito da Pacheca.

O condottiere, que era membro da maçonaria carbonária, aqui aportou aos 31 anos de idade, no final de junho ou início de julho, conforme assinalam a maioria dos historiadores. Em 1 de setembro de 1838, Garibaldi foi nomeado capitão-tenente, comandante da marinha farroupilha.  Às margens do rio Camaquã, na Estância da Barra, propriedade de Antônia Joaquina da Silva, irmã do Gal. Bento Gonçalves (local que inspirou a ficção “A casa das Sete Mulheres”), Garibaldi erigiu o estaleiro da República Rio-Grandense.

A outra residência próxima era a Estância do Brejo, propriedade da filha de Antônia - Anna Ventura da Silva, esposa do juiz farroupilha Manoel da Silva Pacheco, que mais tarde passaria a ser conhecida como Dona Pacheca, daí o nome do distrito. Foi neste ambiente de hospitalidade, nas casas de mãe e filha, que o condottiere italiano conheceu Manoela, prima de Bento Gonçalves. Enamorados à primeira vista o romance não prosperou pois a família não aceitou o namoro, tendo inclusive criado uma álibi de que a jovem donzela de olhos azuis estava prometida para Joaquim, filho do Gal. Bento Gonçalves. Manoela jamais se casou e faleceu em Pelotas, em 1903. A manchete nos jornais da época trazia o singelo epitáfio - Morre a noiva de Garibaldi!

Foi ali naquele lugar seguro e acolhedor que o corsário italiano comandou a construção das duas principais embarcações da frota farrapa - o Seival, um lanchão com 12 metros de comprimento e 25 toneladas, e o Farroupilha de 18 toneladas, ambos armados com quatro canhões de doze polegadas. O norte-americano John Griggs, apelidado de João Grande, que já estava no local, era responsável pelos trabalhos de carpintaria, e já havia construído dois barcos menores. O rio Camaquã com seu curso sinuoso foi um grande aliado dos farroupilhas.

Em julho de 1839, as duas pesadas embarcações - o Seival e o Farroupilha – percorreram a primeira etapa do percurso nas águas tranquilas da Lagoa dos Patos. Depois foram colocadas sobre duas enormes carretas puxadas por bois, e transportadas por terra ao longo de cerca de 100kmdurante seis dias, entre o rio Capivari e a Lagoa do Tramandaí. E a partir daí os barcos ingressaram no mar singrando o Atlântico rumo à Santa Catarina. Esta ousada manobra militar proporcionou aos farroupilhas a conquista de Laguna e a fundação da efêmera República Juliana. Embora o naufrágio do Seival, com a morte de diversos companheiros italianos e gaúchos, Garibaldi teve seu esforço amenizado. Ali Garibaldi encontrou Ana Maria de Jesus Ribeiro, hoje conhecida internacionalmente como Anita Garibaldi.

Antes da travessia homérica, em 17 de abril daquele mesmo ano, o temido Cel. Francisco Pedro de Abreu, o Moringue, ataca o arsenal de Garibaldi na Estância da Barra, com uma centena de homens. Surpreendido e com apenas 13 combatentes, apesar da disparidade de forças o experiente marinheiro rechaça os caramurus. Ferido e humilhado, Moringue bate em retirada, amargando uma de suas raras derrotas. A vitória épica dos farrapos em terras camaquenses está registrada em monumento localizado na Charqueada, no distrito da Pacheca.

No entanto, as vicissitudes da guerra jamais embruteceram a alma do condottiere. Autor de dois romances e um livro de poemas, Garibaldi teve suas “Memórias” publicadas em Paris, no ano de 1859, pelo famoso escritor Alexandre Dumas, autor do épico “Os três mosqueteiros”.

Na obra “Primeiro Centenário de Camaquã” (1951), que teve como redator responsável, Ruy de Castro Netto encontra-se o seguinte trecho: “Garibaldi, cujo lendário percurso pela história brasileira ainda nos deixa extasiados diante do dinamismo e pujança de seu braço guerreiro, levou de Camaquã imorredoura saudade, que, mais tarde, na contemplação das ondas do mar Thirreno, ecoava com melancolia, ao passar pela memória os inúmeros sacrifícios vencidos em dois hemisférios. E no túmulo das recordações de sua vida aventurosa em que as rútilas façanhas de antanho lhe assomam o pensamento, a evocação dos dias mais risonhos de sua mocidade como um bálsamo lhe refresca a alma, e ele, guerreiro e bardo, a abre num êxtase fixando na poesia a nostalgia dos tempos idos”.

Este poema, salvo melhor juízo, foi o primeiro escrito em terras camaquenses, provavelmente durante a presença de Garibaldi no atual distrito da Pacheca, entre os anos de 1838 e 1839. No século XXI ele foi traduzido pelo professor Silvio Paniz, ligado à Societá Italiana di Camaquã, a pedido do pesquisador Catullo Fernandes, que coordenou uma recepção a Annita Jallet Garibaldi, bisneta do condottiere, em sua visita à Camaquã, em 2007.

 

Oh! Dé primi anni miei felice etade

Dalla speranza si abbelita, escevra

D’ogni pensier, che di virtù non fosse!

 

Là del Camacuàn, sulle ridenti

Sponde ed al limitare della selva

Sorge um ostello...

 

Ivi le prime gesta, onde l’umile

Mio nome noto ai generosi vene

Ospiti miei, e del materno affetto

Ritrovai le delizie...

 

Giuseppe Garibaldi

Oh! Feliz idade dos meus primeiros anos

Tão bela de esperança, e livre de todo

Pensamento, que não fosse de virtude!

 

Lá do Camaquã, nas risonhas

Margens, no limiar da selva

Surge um abrigo...

 

Onde as primeiras façanhas, onde humilde

Meu nome tornou-se conhecido aos meus generosos

Anfitriões, e da maternal afeição

Reencontrei as delícias...

Tradução: Prof. Silvio Paniz

Cordeiro é pura musicalidade no CD autoral ‘Mares do Sul’


04/07/2018 -

O músico Ricardo Cordeiro tem forte identificação com Camaquã, onde há cerca de vinte anos é professor de violão e técnica vocal na Sol Maior Academia de Música e Dança, atualmente instalada no Colégio Contemporâneo. Por suas aulas já passaramuma geração de jovens talentosos, e que hoje atuam na cena musical do Estado, entre elas a cantora camaquense Luana Fernandes, que em breve também estará lançando seu CD autoral “Lua de Outubro”.

Ricardo é natural de Rio Grande, mas há muitos anos está radicado em Porto Alegre, onde desenvolve sua profissão e também realiza shows em vários espaços culturais da capital. Em sua trajetória já obteve diversas conquistas em festivais de música, e gravou com importantes cantores gaúchos, sempre emprestando a estas interpretações o toque requintado de seu violão.“Minha vinda para Camaquã, e mais tarde a produção do espetáculo de bossa nova em homenagem a Tom Jobim, na Feira do Livro de 2006, foi um divisor de águas na minha carreira”, lembra o músico.

Na noite de 21 de junho, o projeto ‘Arte Sesc Cultura por toda a parte’ abriu espaço para a estreia de um grande espetáculo, com o lançamento do CD autoral “Mares do Sul”. Aliando talento a sua experiência como professor de música, o cantor, compositor e violonista Ricardo Cordeiro mostrou sua performance artística acompanhado por músicos de grande sensibilidade: o tecladista Marcelo Vaz, o guitarrista Amaro Neto, o baixista Cesar Moraes, e o baterista camaquense Fernando Sefrin. O show, com cenário assinado por Guel Fernandes, sonorização e iluminação de Marcos Vinícius, contou com a participação especial das cantoras Shanti Lu Pauli e Luana Fernandes.

Cordeiro, que também é responsável pela direção musical, criou arranjos cuidadosos estimulado por sua convivência com importantes músicos. Suas canções encantam pela musicalidade, onde o artista mescla jazz, samba e flamenco, com letras de impacto, que enaltecem as belezas naturais das lagoas e rios da Costa Doce, que desaguam em Rio Grande, sua terra natal. Em cada uma das faixas o som deste mar riograndino misturado ao sal dos cascos dos navios, que atravessam o oceano Atlântico,fica sussurrando feito concha acariciando o ouvido daqueles que apreciam a boa música popular brasileira.

O CD “Mares do Sul” é composto por 12 composições próprias, onde se destacam as canções “Pra quem chega”, “Inadequado”, “Nau”, “Ao som que vem” e “Chama”, uma parceria com a escritora Letícia Wierzchowski, autora do romance “A casa das sete mulheres”. O trabalho, que foi contemplado em edital da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, com gravação no estúdio Geraldo Flach, é assinado pela ‘Ao Vivo Produções’, e foi masterizado por André Birk, reconhecido técnico de som atualmente radicado em Londres.

Fotos: Luciane Blimunda

Os 70 anos da morte do General Zeca Netto


13/06/2018 -

Neste ano de 2018, no dia de 22 de maio, registra-se os 70 anos da morte do Gal. Zeca Netto, o primeiro prefeito de Camaquã, nomeado pelo presidente Getúlio Vargas, em 1930. O advento das nomeações prosseguiu até 1948, quando os prefeitos passam a ser eleitos através do voto, justamente o ano da morte do último caudilho.

Ao longo dos anos muitos camaquenses tem questionado qual a ligação entre os generais Antônio de Sousa Netto e José Antônio Netto - Zeca Netto. A conexãoentre ambos não está apenas na semelhança dos nomes. Embora vivendo em épocas diferentes, os dois caudilhos gaúchos são herdeiros das primitivas sesmarias que deram origem ao Rincão dos Nettos, no município de Bagé. Hábeis cavaleiros e vaqueanos por excelência, os feitos heroicos de um confundem-se com os atos de bravura de outro.

Contudo, para desmistificar qualquer controvérsia, basta verificar a Genealogia dos Nettos, publicada na obra “Subsídios à História de Camaquã - Os 80 anos da Revolução de 1923”, de João Máximo Lopes, pesquisador que conhece como poucos a trajetória de Zeca Netto.

Antônio de Sousa Netto era irmão de Florisbelo de Sousa Netto, pai de José Antônio Netto. Portanto, o general farroupilha é tio de Zeca Netto. Alguma confusão que possa ter existido deve-se a semelhança de nomes, já que o próprio Zeca Netto pôs o nome do pai em um dos seus filhos do primeiro casamento, o primogênito Florisbelo de Oliveira Netto, que por sua vez é pai do falecido prefeito José Cândido de Godoy Netto. Resumindo o Gal. Zeca Netto maragato é sobrinho do líder farroupilha Antônio de Sousa Netto, reverenciado no filme “Netto perde sua alma”, de Tabajara Ruas.

Assim como o tio farroupilha, Zeca Netto - o Condor dos Tapes - nasceu no Jaguarão-Chico, em Bagé. Ele veio ao mundo no dia 24 de junho de 1854, na estância dos pais, Florisbelo de Sousa Netto e Raphaela de Mattos Netto, portanto no lado brasileiro da fronteira.

Em 1872, Zeca Netto aderiu ao positivismo passando a exercer importantes cargos públicos na condição de Chefe do Partido Republicano Camaquense. Na Revolução Federalista de 1893 defendeu a causa governista - os pica-paus liderados pelo Dr. Julio de Castilhos. Contudo em 1923, inconformado com as discriminações com a metade Sul e a falta de investimentos para as atividades pastoris, Netto rompe com Borges de Medeiros (PRR), e adere ao movimento maragato de lenços vermelhos, apoiando Assis Brasil para o governo do Estado, tornando-se um dos mais temidos comandantes das divisões revolucionárias.

De suas ações bélicas, a mais marcante foi a Tomada de Pelotas, em 29 de outubro de 1923, onde com amplo apoio popular sitiou a cidade por seis horas. Ele reeditava, assim, o feito de seu tio Gal. Antônio de Sousa Netto, que na Revolução Farroupilha, 87 anos antes, havia conquistado Pelotas, depois da emblemática vitória no combate de Seival, em 1836.

Ele foi um homem culto, falava três idiomas: francês, espanhol e inglês, vaqueano por natureza, militar experimentado e político respeitado pela comunidade, Zeca Netto era a síntese do gaúcho daquelas épocas de revoluções. De suas três uniões conhecidas foram gerados doze filhos, todos assistidos por um pai muito zeloso, independente do preconceito muito comum naquela época.

Quanto a supostos crimes atribuídos ao general e imputados a Manoel Joaquim Lucas de Jesus, o folclórico Manecão, que por ordem de Zeca Netto teria degolado inúmeros rivais, não existe nenhuma prova contundente. Vale ressaltar que a sangrenta revolução da degola ocorreu em 1893, quando Zeca Netto não integrava as hostes maragatas. Já na Revolução de 1923, quando ele adere aos revolucionários, este tipo de barbárie não se verificava mais salvo casos isolados, onde não há registro de que o general comandasse esta prática abominável.

O primeiro prefeito de Camaquã morreu aos 94 anos de idade em 22 de maio de 1948, dias depois de ser entrevistado pelo jovem jornalista Barbosa Lessa. Neste ano de 2018 registra-se os 70 anos da morte do intrépido general. Por tradição oral sabe-se que seu velório foi acompanhado por um número restrito de pessoas. Com idade avançada e já não gozando o prestígio de seus tempos de glória poucos acompanharam o cortejo fúnebre, ainda mais que naquela época as divergências políticas locais eram muito acirradas.

Vale lembrar que o general trocou o lenço branco chimango pelo lenço vermelho maragato, o que era imperdoável mesmo em se tratando de um líder tão conhecido. “Jesus, Maria, José, ajudai-me...” teriam sido suas últimas palavras, em seu leito de morte na Estância da Chácara, popularmente conhecida como Forte Zeca Netto. Morria sem alarde o primeiro prefeito do município e uma das figuras mais distintas da história regional, e que por desígnios do destino nasceraem uma noite de São João, Padroeiro de Camaquã, sua terra adotiva.

Há 80 anos o Município passa a ser conhecido somente por Camaquã. E no século XXI o que esperar em relação ao futuro?


24/04/2018 -

Neste mês de abril Camaquã Terra Farroupilha está registrando 154 anos de emancipação (19 de abril de 1864 - Lei Provincial nº 569). O ano de 2018 registra importantes momentos da nossa história. Os 180 anos da chegada de Garibaldi a Camaquã (1838), os 70 anos da morte do Gal. Zeca Netto (1948), primeiro prefeito nomeado, e os 80 anos da chegada das irmãs bernardinas franciscanas vindas dos Estados Unidos (1938).

Também foi em 1938, que os municípios perderam sua nomenclatura alusiva aos santos padroeiros. Neste ano São João Baptista de Camaquam, passa a ser conhecido simplificadamente por CAMAQUÃ. A partir daí muita coisa mudou. Em alguns setores a cidade avançou, evidentemente, e em outros a cidade retrocedeu, especialmente a partir dos anos 1990, quando tudo parecia dizer o contrário.

A atuação de sucessivos governantes e o empreendedorismo de seus filhos fez com que o município ganhasse notoriedade, nos anos 90, através da indústria de beneficiamento do arroz, com modernas empresas, o que conferiu a Camaquã o título de Capital Nacional do Arroz Parboilizado.

Mesmo perdendo importantes áreas com as emancipações de Cristal (1988), Arambaré (1992) e Chuvisca (1995), o município prosperou e chegou a ostentar a 36ª posição no ranking estadual. Neste sentido e diante do quadro atual é preciso, isentos de paixões partidárias, fazer uma análise séria e profunda sobre os próximos anos.

Camaquã vivenciou e superou as principais guerras, revoluções e insurreições que abalaram o país e o Estado, adaptando-se sempre as novas realidades políticas e econômicas. Os dias de paz foram conquistados pela multiplicidade de um povo que descende de indígenas, negros, portugueses, espanhóis, alemães, pomeranos, franceses, japoneses e poloneses, e que hoje apesar da violência que não poupa nem as cidades do interior, vivem num ambiente de harmonia, labor e respeito mútuo.

Lembrar a trajetória de Camaquã é reverenciar uma plêiade de pioneiros: Cap. Joaquim Gonçalves da Silva, Gal. Bento Gonçalves da Silva, Ana Gonçalves Meireles, Boaventura José Centeno, Giuseppe Garibaldi, Pe. Hildebrando de Freitas Pedroso, Antônio Lopes Duro, Hildebrando José Centeno, Ana Patrícia Vieira Rodrigues César, Adriano Jacob Scherer, Atahualpa Irineo Cibilis, Gal. Zeca Netto, Dario Centeno Crespo, Cônego Luiz Walter Hanquet, entre outras figuras do passado e mais recentes, que com força e dedicação escreveram as páginas de uma grandiosa história.

Para reviver esta história basta admirar a Igreja Matriz São João Batista, a Fazenda da Figueira, o Forte Zeca Netto, os prédios da antiga Intendência Municipal e das Assessorias de Vereadores, o Cinema Coliseu, o Sítio Água Grande, a Estância da Barra no rio Camaquã e o Arroio Duro, cenários de uma epopeia de lutas e conflitos, mas acima de tudo, símbolos de muito amor e trabalho. Conquistas de homens e mulheres obstinados, cujas façanhas forjaram a têmpera de um povo operoso de inigualável virtude, herança pródiga dos ancestrais arachanes.

Pois é olhando para este passado áureo que iremos projetar o futuro. Recentemente Camaquã sediou dois grandes debates regionais: a estiagem que assola a agricultura e a duplicação da BR 116. Importante usar este exemplo de mobilização para fazermos uma análise franca e transparente: Camaquã Terra Farroupilha, título concedido em 2014 pelo Governo do Estado, irá despertar para novos empreendimentos, como por exemplo, o turismo? Que cidade queremos deixar para nossos filhos e netos?

Andrew Tassinari escreve seu nome na arte gaúcha em busca de voos maiores


28/03/2018 -

O ator e bailarino Andrew Tassinari, que integra diversas companhias teatrais e de dança na capital, entra para a história da arte da Região da Costa Doce ao se tornar o primeiro camaquense a receber uma das mais importantes distinções artísticas do RS - o Prêmio Açorianos, laureado na categoria Melhor Ator. Na noite de sábado, 24, no Teatro Renascença, em Porto Alegre foram conhecidos os vencedores da temporada 2017, promoção organizada pela Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria da Cultura de Porto Alegre.

Perto de completar 30 anos, o artista vem atuando em diversos espetáculos desde 2015, no Festival Internacional Porto Alegre em Cena, sempre com indicações ao Prêmio Brasken. No ano passado, Andrew se destacou em “Prata Paraíso”, montagem da Cia. Espaço em Branco, com direção de João de Ricardo, e que também consagrou-se com o prêmio de Melhor Espetáculo.

O artista camaquense, que atualmente está radicado em São Paulo, tem muitos seguidores nas redes sociais, que além de prestigiarem suas atuações no palco, também curtem seus ensaios performáticos em lugares inusitados. Na entrega da premiação ele foi representado pela irmã Keterine Nunes Hübner, servidora da Secretaria da Cultura e Turismo de Camaquã.

Impossibilitado de ir receber o prêmio, em seu perfil no facebook, bem ao seu estilo irreverente, ele escreveu. “Comemorando com muito glamour meu Prêmio Açorianos de Teatro categoria Melhor Ator, e pelo “Prata Paraíso” por Melhor Espetáculo... comendo pão com mortadela e bebendo refri kuat, sentado na Praça Roosevelt, em Sampa...

 

Uma trajetória de luta e inspiração

Andrew, atualmente residindo em São Paulo, é muito conhecido nas redes sociais por sua irreverência e versatilidade ao se deixar fotografar em poses performáticas em lugares inusitados. “A ideia é ficar um tempo em São Paulo pois eu me identifico muito com a cidade, que visito desde 2013, mas depois pretendo sair do país e continuar trabalhando com arte em outros lugares do mundo”, projeta o artista.

Embora sua formação seja em Dança, ele pretende investir também na carreira de ator. Em 2015 quando fez “P-U-N-C-H”: projeto realizado através de edital nacional financiado pela FUNARTE, resolveu ingressar na área de teatro. Assim o bailarino define sua trajetória: “Me encontrei como um artista versátil, que dialoga com outras áreas das artes, entre a dança, o teatro, a moda e a performance.”

 

O início e a carreira na capital

Andrew Nunes Tassinari, natural de Camaquã, nasceu em 1 de julho de 1988. Foi na adolescência que descobriu seu lado artístico, despertando o talento como bailarino. No período de 2003 a 2006, estudou Ballet Clássico, na Escola de Dança Ballet e Companhia, da conceituada bailarina Andriza Freitas. Logo em seguida ingressou como acadêmico no curso de Licenciatura em Dança, pela ULBRA Canoas, mas acabou interrompendo em virtude de outros projetos de vida. Então, no final de 2008, muda-se para Porto Alegre, onde passa a dedicar-se à Dança Contemporânea.

O artista estreou nos palcos em 2011, com o solo autoral “Tic-Tac de um corpo”, e dentre seus principais trabalhos destacam-se: “Cuidado Frágil”, e “Em meio ao luto, eu luto”. Andrew ingressou em 2014, na Companhia Municipal de Dança de Porto Alegre, atuando em “Salão Grená”, e “Adágio”, com três obras: “Ilação”, “Água Viva” e “Scanner”. Em 2015 o grupo se apresentou nas cidades de Fortaleza, Florianópolis e Salvador.

Atuou ainda em “Tempos de Partida” e “Carmina Burana”, com montagem da OSPA. Na Eduardo Severino Cia. de Dança atuou em “Bundaflor, Bundamor” e “In-Compatível”, e pela GEDA Cia. de Dança Contemporânea participou de “Il faut trouver chaussure à son pied”, espetáculo selecionado para o Festival “Diagonales”, em La Plata (ARG), em 2014, e “Verde Intenso”, com circulação estadual pelo FACRS, em 2017.

Fotos: Acervo pessoal/Divulgação

COLUNISTA

Catullo Fernandes

Poeta, editor e pesquisador Diretor da Criarte Marketing & Eventos

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