Gazeta Regional Catullo Fernandes

Trovas e Cantigas realiza o primeiro programa do ano pela Rádio Camaquense


22/01/2017 -

O primeiro programa “Trovas e Cantigas” do ano reuniu um bom público no CTG Sentinela Farroupilha, na noite de quinta-feira, 12. O patrão da entidade tradicionalista, Noldi Garcia recepcionou artistas e expectadores com a mesma hospitalidade de sempre. “Em 2017, no mês de dezembro estamos completando 35 anos de fundação, e durante todo o ano teremos muitas novidades para nossos associados e convidados”, antecipou.

O apresentador Mário Garcia comandou as três horas de atrações, com a participação de artistas e trovadores, além do espaço de entrevistas. O prefeito Ivo de Lima Ferreira, secretários e vereadores prestigiaram o encontro. Na oportunidade a diretora de Turismo, Nilza Tessmann Castro e o escritor Catullo Fernandes fizeram o convite para que os camaquenses participem da 18ª edição da Cavalgada Cultural da Costa Doce.

Durante o programa passaram pelo palco o músico Medeirinho e banda, os trovadores Euclides Medeiros e Danilo Machado, os cantores Manoel Camaquã e Claudio Medeiros, a revelação mirim Murielzinho, entre outros talentos locais.

O espaço gauchesco “Trovas e Cantigas” consiste em um programa de rádio produzido fora dos estúdios, relembrando os antigos programas de auditório da Rádio Camaquense nos anos 1966/70. Época em que os apresentadores Nelson Ricardo e Josy Farias comandavam os programas “Tradições do Rio Grande” e “Salão Grená”.

O programa atual, transmitido ao vivo pela RC, foi idealizado pelo tradicionalista e trovador Helio Baum, e além dele o espaço teve como apresentador o trovador Nirceu Costa. Originalmente o programa chamava-se Cachoeira de Versos Trovas e Cantigas, resumido agora para Trovas e Cantigas, com o radialista Mário Garcia assumindo a apresentação, contando com a colaboração de sua esposa Leila Oswaldt.

Uma vez por mês, sempre na segunda quinta-feira, os tradicionalistas e admiradores da música nativa se reúnem no CTG Sentinela Farroupilha, para prestigiar os talentos locais e regionais, além de degustar o sabor da boa comida campeira.

Foto: Catullo Fernandes

Cavalgada da Costa Doce em sua 18ª edição passará por Camaquã


14/01/2017 -

Numa promoção da Associação Cultural dos Cavaleiros da Costa Doce terá início no dia 19 de janeiro, partindo de Guaíba, a 18ª Cavalgada da Costa Doce, com um trajeto de aproximadamente 300 Km percorrendo a costa da Laguna dos Patos até sua chegada na praia do Laranjal em Pelotas, no dia 29. O tema deste ano é “Caminho Farroupilha no rastro da história”. 

Conforme a presidente da associação, Neli Vitola Gonçalves, neste ano são esperados cerca de 180 cavaleiros de diversos municípios gaúchos e até de outros estados e países vizinhos como o Uruguai. As trilhas passam pelos municípios de Guaíba, Barra do Ribeiro, Tapes, Arambaré, Camaquã, São Lourenço do Sul, Turuçu e Pelotas, nos quais são feitas algumas paradas estratégicas para o descanso de cavalos e cavaleiros. Em cada parada uma pausa para a integração com os moradores locais quando uma roda de chimarrão, um bom churrasco e uma tertúlia revelam a hospitalidade do gaúcho.

A tradicional Cavalgada passa por Camaquã na terça-feira, 24. A confraternização acontece mais uma vez no Galpão Crioulo da escola Mario Centeno Crespo, na Pacheca - 6º distrito, onde na localidade da Charqueada, Garibaldi construiu os lanchões farroupilhas entre eles o Seival, símbolo de uma epopeia, na antiga Estância da Barra propriedade da família do General Bento Gonçalves.

Nesta semana o diretor do projeto, Carlos Souza Gonçalves esteve no Forte Zeca Netto em audiência com a secretária da Cultura, Turismo, Desporto e Juventude, Suzete Maria Santin e com a diretora de Turismo, Nilza Tessmann Castro. “Temos ideia de ampliar a estrutura. Já temos confirmadas algumas atrações, entre elas a apresentação de músicos locais”, diz a secretária.

O tradicionalista Carlos Gonçalves ressalta que o envolvimento com as comunidades por onde a cavalgada passa é fundamental para o êxito da promoção, que reúne diferentes gerações com participantes de 8 a 80 anos. De acordo com ele, Camaquã, que recentemente recebeu o título de Terra Farroupilha, além de sua grandiosa história conta com importantes atrativos turísticos. “Precisamos aproximar as crianças e jovens do movimento pois elas são os maiores difusores da cultura. O espírito da Cavalgada é reverenciar o nosso passado e fortalecer nossa tradição, sensibilizando as administrações das cidades por onde passamos para que invistam no turismo desta Região”, resumiu.

Foto: Catullo Fernandes

Associação Água Grande busca parcerias para lembrar Barbosa Lessa


18/12/2016 -

A Associação Amigos da Água Grande - Fundação Barbosa Lessa, fundada em 2005, tem como objetivo central, preservar a obra e a memória do idealizador do Tradicionalismo, além de conservar a beleza natural e ecológica do sítio, onde no ano de 2003, foi acesa a Chama Crioula Oficial do Estado do RS.

Em 2017 será registrado os 15 anos da morte do escritor, compositor e folclorista Luiz Carlos Barbosa Lessa (Piratini, 13/12/1929 - Camaquã, 11/03/2002). Para marcar a data a Associação está programando uma série de eventos, que serão realizados durante o ano. O primeiro deles é o espetáculo musical “Camaquã canta Barbosa Lessa”, que está sendo organizado através da Criarte Marketing & Eventos, e deverá fazer parte da programação da XXI Semana da Poesia coordenada pela Capocam, entidade da qual o escritor é o Patrono Eterno. Na última terça-feira, 13, Lessa estaria completando 87 anos de vida.

À frente da diretoria da Associação já estiveram as educadoras Inez Ramos Crespo, Marla de Sans Lessa da Rosa Crespo e Solange de Souza. Conforme Álvaro Santestevan, o presidente atual, parcerias com a Prefeitura e empresas estão sendo encaminhadas para lembrar esta data tão importante. Ele também ressalta que os camaquenses e visitantes também podem contribuir com a programação festiva. “Uma maneira simples das pessoas participarem é visitando o Sítio Água Grande nesta temporada de férias. Os recursos com as entradas ao parque irão contribuir para melhorias no local e organização das atividades”, resumiu.

Entre os principais atrativos do Sítio estão a cascata com 65 metros de queda, além de outras pequenas cachoeiras bem como a casa onde residiu o escritor. Há ainda uma biblioteca em meio à mata nativa e objetos pessoais e livros do autor. O visitante pode percorrer ainda as trilhas ecológicas numa área de 15 hectares. Com fauna e flora exuberantes, estes são alguns dos atrativos desta reserva ecológica, embora o maior deles seja a magia de partilhar da simplicidade em que vivia Barbosa Lessa e Dona Nilza Lessa.

O Sítio Água Grande, está localizado na Santa Auta - 5º distrito. O espaço, encravado na serra do Herval, fica a 27 Km do centro de Camaquã. Turismo histórico, cultural e ecológico em um único passeio é o que o visitante pode desfrutar visitando a última morada do escritor. O custo do ingresso ao parque é de R$ 5,00, sendo que crianças até 07 anos não pagam, e para escolas municipais o valor é de R$ 3,00 por aluno. O horário de visitação, exceto às segundas-feiras, é das 8h às 20h (no verão), e nas demais estações das 8h às 18h. Aberto o ano inteiro para visitação, o sítio é o lugar ideal para um churrasco com os amigos ou um piquenique com as crianças, além de área para acampamento. Contatos podem ser feitos com o administrador ambiental Luciano Rödel Moraes pelo celular (51) 99805.9487.

Fotos: Criarte/Divulgação

O menino prodígio da música nativista chamado Muriel


09/12/2016 -

O violão ainda não se encaixa direito em suas pequenas mãos. O menino Muriel Dias Silveira, com apenas seis anos, aparentemente é uma criança como outra qualquer, mas quando solta a voz encanta a todos por seu talento e carisma. No domingo passado ele mais uma vez incendiou o público, ao ser convidado pela Rádio Camaquense para abrir as atrações musicais do Natal da Criança Camaquense, na Praça Zeca Netto.

Murielzinho é filho de Sueli Dias e de José Lucindo, ex-vocalista do Musical Nova Era, que abandonou os palcos porque viver da música estava sendo inviável para sustentar a família, que há 12 anos reside no bairro São Pedro. Foi naquela humilde residência, onde o pai, que toca acordeon e violão, agora por hobbie, percebeu as qualidades de Muriel. Aos três anos de idade o garoto cantarolava o final das letras das músicas que ouvia no rádio, e numa dessas cantou toda a letra de “Casa e família”, do cantador Helmo de Freitas, que juntamente com Teixeirinha, é o grande ídolo do pequeno artista.

Aliás, acompanhando mais de perto é fácil perceber que Muriel, que está cursando o 1º ano na escola municipal Cândido Rodrigues de Freitas, tem habilidades pouco comuns para sua idade. Ele adora desenhar e já lê livros infantis com desenvoltura, inclusive é fã de “Anjo criança”, da poeta Marina Neumann. A mãe conta que desde muito cedo notou que o menino tinha vocação artística pois sempre se interessou por livros e música. “Ele sempre teve um olhar esperto e começou a falar com nove meses”, lembra.

A primeira aparição de Muriel foi aos quatro anos, no programa “Trovas e Cantigas”, do apresentador Mario Garcia, gravado ao vivo mensalmente, no CTG Sentinela Farroupilha. A partir daí o artista mirim fez participações especiais no Bonito em Festa, Semana Farroupilha, e na festa dos 60 anos da Rádio Camaquense, entre outros eventos. Recentemente ele esteve no programa “Entardecer na Querência” onde foi entrevistado e cantou suas músicas preferidas. “Eu não tenho só uma que gosto mais, eu gosto de tudo que for do Rio Grande”, diz ele na sua inocência infantil.

O pai José Lucindo postou dos vídeos no youtube já que o sonho de Muriel é ser chamado para o quadro Janela do Galpão, que revela talentos no programa Galpão Crioulo, da RBS TV. Independente do que venha a ocorrer Camaquã já ganhou seu novo artista mirim, e que quando sobe ao palco mostra todo seu carisma e talento.

 

Foto: Mayara Farias/Divulgação

Manoel Camaquã comemora no palco 50 anos de carreira artística


24/11/2016 -

O Teatro do Sesc lotou na terça-feira, 22, para aplaudir um dos mais queridos intérpretes da Região da Costa Doce. Acompanhado por sua banda e convidados especiais, Manoel Camaquã subiu ao palco para comemorar 50 anos de carreira.

Casado com Ana Maria Marques Prestes o cantor e violonista tem dois filhos: Manoela e Maiquel, e três netos Esliel, Juliana e Maiquel Filho, este seguindo os passos do avô e perpetuando o gosto pela música na família. Irônico e perspicaz sempre que é contatado para fazer algum show, Manoel costuma brincar com o contratante. “Vamos fazer um trabalho de qualidade, e que seja bom para os dois lados, para mim e a Ana Maria”, informa entre risos.

 O artista que nasceu em 24 de maio de 1951, aprendeu a tocar violão aos 17 anos, com o compadre Nenê, mas antes já cantava no extinto conjunto “Os Spectros”. Conforme Maneco - como é chamado na intimidade - os cinquenta anos se referem à data em que recebeu da Ordem dos Músicos do Brasil sua carteira de músico - 25/10/1966.

O artista conta que sua grande inspiração foi o cantor e compositor Moacyr Franco. Entre os grandes parceiros de jornada estão José Cláudio Machado, Helmo de Freitas, João Antônio Bueno, Cláudio Medeiros e Herlindo Lindemann. Manoel realizou shows por todo o Estado e ainda em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Quando da saída de José Cláudio Machado do grupo “Os Serranos”, ele foi contatado por Edson Dutra para ser o novo vocalista, mas por questões particulares acabou não aceitando o convite.

Em meio a tantas andanças, sem dúvida alguma, os momentos de grande emoção foram ao lado do cantador e amigo Helmo de Freitas, participando de festivais nativistas e conquistando importantes prêmios, entre eles a Calhandra de Ouro, na Califórnia da Canção de Uruguaiana e o primeiro lugar na extinta Inúbia da Cantiga Nativa de Arambaré.

Quanto ao show “Há 50 anos cantando e fazendo amigos” o eclético intérprete transitou por várias vertentes, mesclando música popular brasileira e nativismo, além de canções em espanhol como “Merceditas”. Manoel Camaquã também homenageou compositores locais, que lhe deram letras que até hoje são lembradas, entre elas “Rio Camaquã”, de Renato Centeno Crespo, que defendeu na Califórnia da Canção, em 1980, e “O pintor”, de Adroaldo Fernandes Claro. Esta última tem um significado especial porque Maneco atua profissionalmente como pintor letrista, com trabalhos espalhados por toda a região.

Um dos momentos impactantes do espetáculo musical foi a interpretação do “Hino Tradicionalista”, obra de Luiz Carlos Barbosa Lessa gravada por ele em CD. Aliás, foi o idealizador do Tradicionalismo, que nos anos 1980, batizou Manoel Cláudio Carvalho Prestes com o nome artístico Manoel Camaquã. Nesta época gravou dois LPs (1982 e 1985), cujos discos não têm título, até porque com este padrinho são dispensadas as apresentações.

 

Foto: Ana Bede

COLUNISTA

Catullo Fernandes

Poeta, editor e pesquisador Diretor da Criarte Marketing & Eventos