Gazeta Regional Catullo Fernandes

O menino prodígio da música nativista chamado Muriel


09/12/2016 -

O violão ainda não se encaixa direito em suas pequenas mãos. O menino Muriel Dias Silveira, com apenas seis anos, aparentemente é uma criança como outra qualquer, mas quando solta a voz encanta a todos por seu talento e carisma. No domingo passado ele mais uma vez incendiou o público, ao ser convidado pela Rádio Camaquense para abrir as atrações musicais do Natal da Criança Camaquense, na Praça Zeca Netto.

Murielzinho é filho de Sueli Dias e de José Lucindo, ex-vocalista do Musical Nova Era, que abandonou os palcos porque viver da música estava sendo inviável para sustentar a família, que há 12 anos reside no bairro São Pedro. Foi naquela humilde residência, onde o pai, que toca acordeon e violão, agora por hobbie, percebeu as qualidades de Muriel. Aos três anos de idade o garoto cantarolava o final das letras das músicas que ouvia no rádio, e numa dessas cantou toda a letra de “Casa e família”, do cantador Helmo de Freitas, que juntamente com Teixeirinha, é o grande ídolo do pequeno artista.

Aliás, acompanhando mais de perto é fácil perceber que Muriel, que está cursando o 1º ano na escola municipal Cândido Rodrigues de Freitas, tem habilidades pouco comuns para sua idade. Ele adora desenhar e já lê livros infantis com desenvoltura, inclusive é fã de “Anjo criança”, da poeta Marina Neumann. A mãe conta que desde muito cedo notou que o menino tinha vocação artística pois sempre se interessou por livros e música. “Ele sempre teve um olhar esperto e começou a falar com nove meses”, lembra.

A primeira aparição de Muriel foi aos quatro anos, no programa “Trovas e Cantigas”, do apresentador Mario Garcia, gravado ao vivo mensalmente, no CTG Sentinela Farroupilha. A partir daí o artista mirim fez participações especiais no Bonito em Festa, Semana Farroupilha, e na festa dos 60 anos da Rádio Camaquense, entre outros eventos. Recentemente ele esteve no programa “Entardecer na Querência” onde foi entrevistado e cantou suas músicas preferidas. “Eu não tenho só uma que gosto mais, eu gosto de tudo que for do Rio Grande”, diz ele na sua inocência infantil.

O pai José Lucindo postou dos vídeos no youtube já que o sonho de Muriel é ser chamado para o quadro Janela do Galpão, que revela talentos no programa Galpão Crioulo, da RBS TV. Independente do que venha a ocorrer Camaquã já ganhou seu novo artista mirim, e que quando sobe ao palco mostra todo seu carisma e talento.

 

Foto: Mayara Farias/Divulgação

Manoel Camaquã comemora no palco 50 anos de carreira artística


24/11/2016 -

O Teatro do Sesc lotou na terça-feira, 22, para aplaudir um dos mais queridos intérpretes da Região da Costa Doce. Acompanhado por sua banda e convidados especiais, Manoel Camaquã subiu ao palco para comemorar 50 anos de carreira.

Casado com Ana Maria Marques Prestes o cantor e violonista tem dois filhos: Manoela e Maiquel, e três netos Esliel, Juliana e Maiquel Filho, este seguindo os passos do avô e perpetuando o gosto pela música na família. Irônico e perspicaz sempre que é contatado para fazer algum show, Manoel costuma brincar com o contratante. “Vamos fazer um trabalho de qualidade, e que seja bom para os dois lados, para mim e a Ana Maria”, informa entre risos.

 O artista que nasceu em 24 de maio de 1951, aprendeu a tocar violão aos 17 anos, com o compadre Nenê, mas antes já cantava no extinto conjunto “Os Spectros”. Conforme Maneco - como é chamado na intimidade - os cinquenta anos se referem à data em que recebeu da Ordem dos Músicos do Brasil sua carteira de músico - 25/10/1966.

O artista conta que sua grande inspiração foi o cantor e compositor Moacyr Franco. Entre os grandes parceiros de jornada estão José Cláudio Machado, Helmo de Freitas, João Antônio Bueno, Cláudio Medeiros e Herlindo Lindemann. Manoel realizou shows por todo o Estado e ainda em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Quando da saída de José Cláudio Machado do grupo “Os Serranos”, ele foi contatado por Edson Dutra para ser o novo vocalista, mas por questões particulares acabou não aceitando o convite.

Em meio a tantas andanças, sem dúvida alguma, os momentos de grande emoção foram ao lado do cantador e amigo Helmo de Freitas, participando de festivais nativistas e conquistando importantes prêmios, entre eles a Calhandra de Ouro, na Califórnia da Canção de Uruguaiana e o primeiro lugar na extinta Inúbia da Cantiga Nativa de Arambaré.

Quanto ao show “Há 50 anos cantando e fazendo amigos” o eclético intérprete transitou por várias vertentes, mesclando música popular brasileira e nativismo, além de canções em espanhol como “Merceditas”. Manoel Camaquã também homenageou compositores locais, que lhe deram letras que até hoje são lembradas, entre elas “Rio Camaquã”, de Renato Centeno Crespo, que defendeu na Califórnia da Canção, em 1980, e “O pintor”, de Adroaldo Fernandes Claro. Esta última tem um significado especial porque Maneco atua profissionalmente como pintor letrista, com trabalhos espalhados por toda a região.

Um dos momentos impactantes do espetáculo musical foi a interpretação do “Hino Tradicionalista”, obra de Luiz Carlos Barbosa Lessa gravada por ele em CD. Aliás, foi o idealizador do Tradicionalismo, que nos anos 1980, batizou Manoel Cláudio Carvalho Prestes com o nome artístico Manoel Camaquã. Nesta época gravou dois LPs (1982 e 1985), cujos discos não têm título, até porque com este padrinho são dispensadas as apresentações.

 

Foto: Ana Bede

Poema épico tem lançamento na Feira do Livro de Camaquã


01/11/2016 -

A 36ª Feira do Livro de Camaquã, com coordenação da Secretaria da Cultura e Turismo e do Sesc, que mais uma vez firmaram parceria para realizar o evento, transcorre de 03 a 06 de novembro, no Largo da Matriz (Centro Histórico). Entre os importantes lançamentos de livros de autores camaquenses encontra-se o livro “Aratinga Retrô” (poema épico) de Ilo Brehm Vieira. A sessão de autógrafos acontece na data de 05 de novembro (sábado) às 18 horas, na sede da Capocam.

A inusitada obra editada pela Criarte Marketing & Eventos, com selo da Editora Evangraf, com apresentação do poeta Álvaro Santestevan, levou mais de dez anos para ser concebida. O autor nasceu em 1950, no Vale Três Forquilhas, na localidade de Guananazes, na época subdistrito de Torres, hoje distrito de Três Forquilhas/RS. Aos cinco anos a família mudou-se para a localidade de Aratinga, então distrito de São Francisco de Paula.  Em 1965 a família veio para Camaquã, no advento da reforma agrária do Banhado do Colégio.

Atualmente Ilo, que é contador por profissão, divide seu tempo com o trabalho e a poesia maior que é a família, formada por sua musa Magda, os filhos e netos, e é claro o chalé no Aratinga, refúgio onde busca descobrir o verdadeiro sentido da vida. Neste local mágico e preservado reside toda a inspiração para que este livro viesse a luz.

Na ótica do escritor a obra, considerada uma “Epopeia”, apresenta uma literatura consagrada pela quadrinha, antilírica, onde, na maior parte dela, a rima é apenas simulada. Sugerida. Pode ser que os “enxertos” de natureza escatológica, o acesso permitido à quarta dimensão, o uso inequívoco da física quântica de Einstein, deem uma dimensão metafísica mais consciente dos segredos, usos e utilidades da mecânica multidimensional. Saídas do corpo físico. Viagens cósmicas, onde a sutileza não se deixa revelar. E completa: “Voltar-se para a natureza e defendê-la, como a da narrativa poética, é dirigir a força remanescente voltada para a vida. Aratinga e região são obras primas de Deus.”

COLUNISTA

Catullo Fernandes

Poeta, editor e pesquisador Diretor da Criarte Marketing & Eventos