Gazeta Regional Catullo Fernandes

Cruz missioneira de São Miguel tem lançamento oficial


26/05/2017 -

A Secretaria da Cultura, Turismo, Lazer, Desporto e Juventude realizou na noite de 16, no Forte Zeca Netto, a abertura da 15ª Semana de Museus, buscando consolidar atividades nesta importante área de estudos históricos. Para abrilhantar o momento foi feito o lançamento oficial da Cruz Missioneira de São Miguel, que a partir de agora poderá ser visitada no Museu Divino Alziro Beckel. A peça foi descoberta, em 2010, pelos irmãos Édison e Éder Hüttner, durante uma visita à cidade onde a família reside. A peça estava parcialmente oculta na gruta onde são feitas preces e acendidas velas na Praça Santa Cruz.

Édison, que coordena os estudos sobre Arte Sacra Jesuítica-Guarany da PUCRS, em seu primeiro contato com a cruz, se fixou numa inscrição na sua haste horizontal: em letras cinzas se lia HSPN. Pesquisando a sigla concluiu que as letras eram usadas nos meados do milênio passado para abreviar Espanha (o H é de Hispania em Latim). Mas isso não bastava, era preciso a comprovação. Uma litografia (desenho transformado em gravura em óleo) de 1846, assinada pelo francês Alfred Demersay, e que mostra a cruz no alto do templo em São Miguel, provavelmente atingida por um raio, foi outro grande passo para a confirmação.

Em maio de 2013, a cruz de 26,4 Kg foi desenterrada e levada a PUC, onde foi submetida a uma precisa medição, que concluiu que as dimensões do objeto de ferro de 2,24m x 1m11cm batiam exatamente com as da litografia. Além da comparação dimensional, foi retirado da cruz material para análise comprovando-se que é o mesmo encontrado nas peças fundidas nos fornos da Redução de São João. A apresentação oficial da descoberta foi feita em 17 de setembro de 2013, no Cine Teatro Coliseu, quando foi anunciado que a cruz havia sido registrada como Patrimônio do Município.

Em 2014, uma réplica da cruz foi devolvida a gruta da Praça Santa Cruz, enquanto a verdadeira manteve-se guardada, sendo agora liberada sua exposição permanente no Forte Zeca Netto.

A cruz, forjada há quase 300 anos, foi colocada na pequena gruta quando foi fundada a Praça Santa Cruz, em 1959. Originalmente, no entanto, ela foi instalada num local próximo de onde foi identificada – provavelmente a Caixa D’água da Corsan ou no terreno onde se localiza um tradicional açougue do bairro, oriunda possivelmente do ciclo ervateiro dos séculos XVIII e XIX, quando carreteiros percorriam a chamada Rota da Erva-Mate. “Esta cruz é um patrimônio cultural e religioso de Camaquã e merece ser visitado por toda a comunidade regional, podendo inclusive ser tornar um monumento turístico”, ressaltou Édison Hüttner.

Foto: Divulgação Criarte

Réquiem para dois Renatos


12/05/2017 -

Neste início de semana a cidade ficou enlutada por dois tristes acontecimentos, que causaram muita comoção e exigem reflexão sobre a precariedade de estarmos vivos. Coincidentemente estas duas perdas irreparáveis assinavam o mesmo nome: Luiz Renato. No domingo o empresário Luis Renato Moch perdeu a vida aos 45 anos ao ser atropelado durante um desafio ciclístico. A homenagem de despedida da equipe Triplo xXx sintetiza bem o quanto esta figura humana era querida pela comunidade, fosse no grupo de ciclismo que integrava ou junto dos músicos, que atendia com tanta dedicação na Casa Sutil – aliás uma morte nada sutil para uma pessoa tão gentil e educada.

E na terça-feira, depois de travar uma luta inglória por alguns anos contra uma doença implacável, partiu o maior comunicador da região. Aos 75 anos Luiz Renato Barboza foi fazer uma ligação direta em uma outra dimensão. Verdade que o radialista mais polêmico da cidade colecionava amigos e desafetos, mas é inegável sua contribuição à imprensa e ao esporte, as duas áreas em que atuou com enorme desenvoltura em mais de 50 anos de trajetória.

Perdemos no espaço de dois dias o Renatinho e o Renatão - Camaquã está mais pobre sem estas duas personalidades carismáticas. As pessoas iluminadas marcam sua passagem existencial seja de uma forma discreta ou de um jeito mais expansivo. Do primeiro vou levar a lembrança de alguém que incentivava a cultura, em particular a música, e que até o ano passado era responsável pela gravação das placas de homenagens, que em muitas oportunidades procurei na Casa Sutil, e que eram cuidadosamente gravadas pelo Renatinho. A bem da verdade quem merecia uma placa era ele – uma grandiosa placa em letras douradas com a distinção de Gente do Bem.

Do segundo são diferentes momentos e emoções, mas prefiro ficar com a imagem do grande incentivador das coisas boas de Camaquã. Renatão, quando diretor da Gazeta Regional oportunizou o primeiro espaço de divulgação para a poesia, em 1988, através da coluna Notícias da Capocam assinada pelo poeta Álvaro Santestevan, mesmo antes da fundação da entidade. Este espaço no jornal foi o embrião para que eu ingressasse no jornalismo e nas atividades culturais, pois foi através da Gazeta, que me informei sobre a criação da Casa do Poeta Camaquense, me tornando o último dos 14 associados no quadro de fundadores. Grato por conhecê-los senhores Luis Renato Moch e Luiz Renato Barboza. Estamos todos tristes com este final inesperado!

A arte nativa e universal do trio Cuerdas y Bombo


29/03/2017 -

O Teatro do Sesc recebeu na noite de 21, o show ‘gaucho’ Cuerdas y Bombo, onde a música nativista do Rio Grande do Sul se encontrou com o folclore argentino e uruguaio. O resultado foi um espetáculo onde letra e melodia ganham força em interpretações seguras e emotivas. Além de temas conhecidos do cancioneiro gaúcho e platino, a plateia pode conhecer composições autorais de grande impacto, e que merecem ser gravadas em estúdio.

Os irmãos Paulo André (percussão), Rafael (violão) e Rodrigo Cesar da Silva (baixo), mostraram o equilíbrio entre o instrumental e a qualidade vocal interpretando músicas de sua lavra como “Arrastando as chilenas”, música mais popular do I Acorde da Canção Nativa de Camaquã (2006), “De quem canta em dia feio”, “Nos olhos do meu amor”, e “Chacarera que canto”, entre outras belas canções, que no final se sentiram embaladas pela pureza da encantadora canção “Lua dandona”.

O show contou ainda com as participações especiais de grandes artistas da terra, entre eles o cantor Luciano Barros Pires, que interpretou “Querência tempo e ausência”, os gaiteiros de alta performance Bruno Aires Erdmann e Vinicius Machado Mombach, o cantor Noroel Prestes acompanhado pelo tecladista Pablo Voloski,  e o poeta Everton Hugo, que abriu o evento declamando uma poesia dedicada ao trio “Cuerdas y Bombo”, que resume com toda a sinceridade a competência destes promissores nomes da música nativista da Costa Doce.

Foto: Criarte/Divulgação

 

Fotógrafa realiza ensaio com mulheres negras camaquenses


26/02/2017 -

O dia nublado no domingo, 19, não impediu que um grupo de mulheres negras das mais diferentes idades, participasse de um ensaio fotográfico promovido pela fotógrafa Luciane Godinho da Silva. A jornalista, que nos anos 90, foi diretora do jornal alternativo “O Tagarela”, vem realizando diversos trabalhos envolvendo a causa feminina. No ano passado, durante a Feira Municipal do Livro, ela apresentou a exposição “Mulheres: documentos do coração”, que tem na curadoria o antropólogo da UFRGS e fotógrafo Luis Robson Achutti.

Luciane, que usa o pseudônimo Blimunda, é formada em jornalismo pela PUCRS. Esta formação e a experiência adquirida na imprensa oportunizou que ela despertasse uma paixão pela arte de fotografar. Ela estudou fotografia digital e processos artísticos na fotografia na UFRGS, e a partir daí buscou produzir trabalhos no gênero.

Neste novo ensaio, a fotógrafa reuniu um grupo bem eclético de mulheres negras, que posaram para suas lentes em um espaço rural, que teve como cenário o CTG Camaquã. Para dar ênfase à beleza afro as modelos usaram turbantes coloridos, que eram montados na hora pela artesã Guel Fernandes. O resultado deste trabalho fotográfico poderá ser visto na data de 8 de março - Dia Internacional da Mulher, durante o evento “Manifesta Negra - Mulher bonita é a que luta” organizado pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Camaquã.

Foto: Divulgação Criarte

Academia de Música Sol Maior funcionará no Colégio Contemporâneo


19/02/2017 -

A Sol Maior Academia de Música surgiu do sonho e da ousadia da professora Marta Suppi, no ano de 1990. Com sua ida para os Estados Unidos onde reside sua filha Greyce, agora o espaço passa a funcionar no Colégio Contemporâneo onde receberá os atuais e novos alunos a partir do mês de março.

Embora a ausência de sua fundadora a escola permanecerá em boas mãos e ficará sob a direção e coordenação do professor e músico, compositor e produtor Ricardo Cordeiro (foto) e da professora pedagoga e musicista Julliany Menezes. A Sol Maior firmou parceria com o Colégio Contemporâneo e atuará nas dependências da escola oferecendo uma melhor estrutura para  seus alunos.

Além dos diretores a academia conta com os professores Fernando Sefrin e Samara Lellis. O espaço oferece os cursos de violão, guitarra, baixo, cavaco, teclados, violino, técnica vocal e uma novidade: turma de orquestra de percussão. As matrículas estarão abertas a partir do dia 13 de março.

Ao longo de duas décadas de atuação a Sol Maior tem sido referência de ensino musical na cidade de Camaquã e Região. Pela academia passaram artistas, alunos que hoje são pais de alunos, professores e tantas pessoas, que consolidaram a marca da academia, e que passou a integrar a trajetória de vida de cada um. Na avaliação de Ricardo Cordeiro a identidade do espaço está sendo preservada. “Este é um trabalho gratificante que entre momentos de alegrias e dificuldades se mantém firme em seu propósito há 20 anos”, resume.

Foto: Arquivo Criarte

COLUNISTA

Catullo Fernandes

Poeta, editor e pesquisador Diretor da Criarte Marketing & Eventos