Gazeta Regional Catullo Fernandes

Riccardo Crespo: Melodias do Rio Camaquã ao Rio Mississipi


29/01/2018 -

Depois de 18 anos residindo em New Orleans (USA), em setembro de 2016, o músico Riccardo Crespo resolveu dar um tempo em sua carreira musical, e de volta ao Brasil, retornou às origens vindo morar na Fazenda Figueirinha, na Pacheca. No ano passado, ele voltou aos palcos e se apresentou no Teatro do Sesc, protagonizando o show intitulado “Milonga de New Orleans”, uma síntese da carreira exitosa desse importante músico camaquense.

No momento Riccardo se dedica a um projeto turístico, que consiste em aproveitar as belezas naturais do entorno da Fazenda Figueirinha, entre o rio Camaquã e a Laguna dos Patos. O espaço oferece hospedagem, culinária gaúcha, acervo histórico, trilhas, camping, passeios a cavalo e de barco, happy hour com música nativa e um ambiente mais que acolhedor. Contatos para locação pelos fones: (51)99934.3605 e 3332.2402. “Vim para morar perto do Rio Camaquã, reaver minhas raízes, procurar algumas respostas que só bebendo a água da fonte nós podemos decifrar”, resume Riccardo.

 

A trajetória do artista

O compositor e músico Riccardo Crespo nasceu em Porto Alegre, mas com algumas semanas de vida foi morar na Fazenda Figueirinha, propriedade de sua família, localizada na Pacheca, 6º distrito de Camaquã. A família Crespo sempre fez parte da história local e do Estado por sua descendência direta do Gal. Bento Gonçalves.

Aos cinco anos ele veio morar na cidade, onde estudou no antigo Colégio das Irmãs até a 5ª série, e já se destacava cantando nas saudosas aulas de música. Este interesse é um legado de seu tio e ídolo Renato Crespo, o Nano, que tocava violão e cantava nos churrascos e festas das famílias Centeno Crespo. Contudo o despertar musical se deu a partir de 1979, quando começou a tocar violão e compor letras e músicas.

Nesta época, juntamente com Luis Carlos Evangelista, Zuza Sperotto e outros amigos, participou da criação da Família de Arte, surgindo assim o Bailôco e o Musical Gente da Terra, eventos que fazem parte da história cultural da cidade. Todo o processo musical se acelerou quando ele cursava a Faculdade de Agronomia na UFRGS, em Porto Alegre. A morte prematura de seu mentor o tio Renato Crespo, que faleceu aos 53 anos, em 1980, também foi determinante. Riccardo começou a cantar, tocar violão e gaita de boca até 12 horas por dia, chegando a cancelar um ano no Curso de Agronomia para ficar em casa se dedicando totalmente a sua arte musical.

A partir daí participou de vários festivais como o Musipuc e o Musicanto de Santa Maria, além da Califórnia da Canção de Uruguaiana, onde em 1980, interpretou a eterna “Rio Camaquã” de autoria de seu tio Renato com sua parceria. Desde o início o artista buscou compor letras e poemas com uma forte mensagem positiva entrelaçadas por melodias bem elaboradas. Como ele mesmo define atualmente: música popular brasileira com alma gaúcha e latina e tempero de New Orleans.

Em 1982, conseguiu uma bolsa de estudos em Hidroponia para cursar por seis meses na Faculdade Católica de Leuven, na Bélgica. “Foi tudo uma desculpa para tocar nos bailes da vida, e se atirar de cabeça na música”. E assim Riccardo percorreu a Europa onde viveu por três anos, entre França, Bélgica, Espanha, Suécia, Holanda, Alemanha e principalmente na Suiça, em Zurich, quando gravou o primeiro trabalho em fita cassete.

Retornou em 1985 da Europa a bordo do transatlântico Eugênio C, onde diariamente realizava um show numa viagem que durou três semanas. De volta a Porto Alegre ele sobreviveu de música por dois anos. Nesse período ele pode sentir o quanto era difícil entrar no mercado musical brasileiro. Em 1987 voltou ao curso de Agronomia e graduou-se em 1988. Daí até o ano de 1996 dividiu seu tempo entre a Agronomia e a música percorrendo todo o Estado.

Em 1994 produziu, gravou e lançou seu primeiro CD intitulado “Ricardo Crespo” o qual teve excelente receptividade da crítica e do público gaúcho. Em 1996 mergulhou na noite portoalegrense onde tocou até meados de 1998.  “Foi uma escola e tanto tocar na noite. Eu ia dormir às 7 da manhã. Nunca mais fiz isso! Mas foi super importante para pegar ritmo de jogo, e aprimorar minha técnica como violonista e cantor”.

Insatisfeito com a falta de perspectiva no Brasil, em 1999, resolveu se mudar de mala e cuia para New Orleans, nos USA, cidade conhecida como o berço do blues e do jazz. Riccardo começou tocando na rua pois até então era um cantor anônimo. “A rua é o melhor lugar para ser conhecido e fazer amigos! Foi um bolo de neve crescendo. Dali surgiram shows em aniversários, formaturas, casamentos e todo tipo de festas.”

Nos Estados Unidos por influência da numerologia ele acrescentou mais um “C” em seu nome. Riccardo viveu mais de 18 anos em New Orleans. Sempre cantando em português realizou mais de 3500 shows nos melhores clubes de jazz, festivais e festas privadas em New Orleans e em outros estados norte-americanos. Ele tocou oito vezes num dos maiores eventos dos Estados Unidos - o New Orleans Jazz & Heritage Festival, além de se apresentar a 18 anos no French Quarter Festival. Dentro deste processo ele também fez duas turnês no Verão pela Europa, na Escandinávia, em 2001 e 2005.

Assim como muitos moradores e músicos de New Orleans, Riccardo foi uma das vítimas que perderam tudo na passagem do Furacão Katrina, que devastou 80% da cidade do blues, em agosto de 2005, motivando sua volta ao Brasil. Ao retornar em 2006, ele queria ajudar a reconstruir a cidade de Louis Armstrong. “Foi uma maneira de agradecer tudo o que a cidade tinha me proporcionado na minha trajetória”.

Riccardo tem dupla cidadania, e há quatro anos tornou-se um Cidadão Americano. Sua discografia conta com quatro CDs gravados: “Do Rio Camaquã ao Rio Mississippi” (2001), “Milonga of New Orleans” (2008), “Nano & Conguinho” (2011), e “Madrugada em New Orleans” (2012). O artista vende CDs para o mundo todo, e sempre divulgou o nome da cidade de Camaquã, onde quer que estivesse tocando.

Foto: Divulgação/GR

“Lessinha e seus amigos” em projeto de leitura de verão do Sesc


20/01/2018 -

Desde o lançamento no dia 09 de dezembro, no CTG Camaquã, a revista ilustrada “Lessinha e seus amigos”, com texto de Catullo Fernandes e ilustrações do artista plástico Caiaque, tem recebido uma grande aceitação do público. O alcance do projeto, que envolve tradicionalismo, cultura e ecologia motivou a unidade do Sesc Camaquã a contratar o autor para um bate-papo com as crianças em três atividades diferenciadas, que constam no programa de verão do Sistema Fecomércio - Sesc.

Em Arambaré e Tapes o escritor Catullo Fernandes atuou dentro do Recrearte Sesc (carreta de lazer e cultura que está percorrendo a Costa Doce), e que pela primeira vez esteve nestas cidades. Na verde praia da lagoa a atividade foi realizada no domingo 07 - Dia do Leitor, e na ocasião o trabalho de leitura, com o autor junto das famílias e crianças, se deu à sombra das árvores, no camping, no praiano, enfim na orla da praia. O grupo da terceira idade Doce Viver, mantido pela Prefeitura de Arambaré, cantou e auxiliou na tarefa.

No domingo seguinte, 14, o personagem Lessinha esteve no 2º Rodeio Municipal de Tapes, no Parque de Eventos José Cláudio Machado. Na oportunidade o bate-papo com o autor ocorreu no acampamento e no espaço dos shows. O grupo musical tapense Vinícius Pinto e Estouro de Tropa contribuíram para divulgar a obra “Lessinha e seus amigos”. Nestas duas atividades o escritor foi recebido pelo auxiliar de cultura Argeu Dutra Junior, do Sesc Porto Alegre.

Esta etapa foi encerrada com um terceiro encontro na tarde de quinta-feira, 18, na sala multiuso do Sesc Camaquã, com um bate-papo bem descontraído com duas turmas do projeto “Brincando nas Férias”, e a condução das atividades contou com o apoio das professoras do Sesquinho.

Em sua página no facebook, o poeta Catullo Fernandes escreveu: “grato a toda a equipe do Sesc pela receptividade, em particular a Nadine Assis, coordenadora cultural. Valeu Daniel Sperb, acredito que foi uma parceria muito produtiva esta do Sesc com a Criarte, neste início de verão. A leitura em época de férias é um excelente programa para todos, principalmente para as crianças.”

Fotos: Divulgação Criarte

Quatro instituições são atendidas no projeto “Leituras de Natal”


10/01/2018 -

A Criarte Marketing & Eventos em parceria com empresas locais idealizou o projeto sociocultural “Leituras de Natal”, visando levar um programa de leitura para os bairros da cidade. A iniciativa proporcionou a entrega de 200 revistas ilustradas “Lessinha e seus amigos”, de autoria do escritor Catullo Fernandes, com desenhos do artista plástico Caiaque, além de outros livros do autor totalizando 300 exemplares doados em forma de presente de Natal.

Foram visitadas quatro instituições que atenderam o chamado e realizaram atividades para receber o projeto. No CRAS Getúlio Vargas o autor foi recebido pela coordenadora Clair Rodrigues e pela Orquestra de Câmara Getúlio Vargas. Também foram atendidas as crianças da AB Injuv, que tem Maria Dulce Oliveira na coordenação, e os outros dois Centros de Referência mantidos pela Prefeitura: o CRAS Cônego Walter, coordenado por Édina Maria da Silva Becker e o CRAS Bom Sucesso, coordenado por Mara Lúcia Pagani.

Nos quatro encontros, o escritor e diretor da Criarte, esteve acompanhado da artesã e contadora de histórias Guel Fernandes. As empresas que aderiram à proposta foram: Fortral Ltda, HT Nutri, Farmácia Portão - Rede Associadas, Agropecuária Rancho King Ltda, AUD, Supermercados Macla, Sindicato dos Comerciários, Associação dos Aposentados e Pensionistas de Camaquã, e Bar e Lancheria Soni.

 

A leitura muda tudo!

Em tempos de tecnologia, onde tablets, smartphones e a rede facebook dominam o cenário, inclusive o do universo infantil, seria visto até com surpresa um projeto de leitura ter tanta receptividade. Mas contrariando a lógica do momento, quatro instituições vivenciaram com entusiasmo o encontro com a leitura as vésperas do Natal, através deste projeto da Criarte em parceria com empresas locais.

Na AB Injuv e nos três Centros de Referência mantidos pela Prefeitura: CRAS Getúlio Vargas, CRAS Cônego Walter e CRAS Bom Sucesso, a história se repetia. Crianças atentas e participativas interagindo com a revista ilustrada “Lessinha e seus amigos”. As fotos ilustram com precisão o interesse da criançada proporcionado pelo projeto “Leituras de Natal”. Ler ainda desperta muita emoção nas crianças, e continua sendo uma grande ferramenta visando um mundo melhor através da educação e cultura.

Foto: Guel Fernandes

“O Quinto Elemento” revela a magia da dança através da poesia


07/12/2017 -

Foi uma noite memorável. Com o Teatro do Sesc totalmente lotado o Movimente Espaço Criativo realizou na noite de 02, o encerramento das atividades de sua escola de dança. O espetáculo“O Quinto Elemento” encantou a plateia abordando todo o mistério dos quatro elementos: água, terra, fogo e ar.

As coreografias eram intercaladas, com textos poéticos do escritor Catullo Fernandes, tendo como narrador o professor, dançarino e poeta Leandro Barbosa. O roteiro vem assinado pela professora e coreógrafa Daiane Ávila, que também protagonizou um número de extrema plasticidade mostrando sua alta performance como dançarina.

O espetáculo, que se apoia em belas imagens exibidas no telão, tem um início impactante onde o caos e a escuridão dominam o cenário. A cada novo número um mundo de cor e cordialidade vai se desenhando revelando a força do ser humano em sua busca pelo quinto elemento.

A coreografia da Luz traz a simplicidade das meninas da escola que integram a Turma Teen, abrindo caminho para o elemento Terra, com uma saudação ao sol através do grupo feminino de Yoga, além de uma definição sobre os quatro elementos revelada pela Turma de Dança Criativa.

Na sequência a coreografia Ar é mostrada pela Turma Dance Kids numa exibição de muita plasticidade, que tem continuidade com o número Água pela Turma Dance Teen. O elemento Fogo se acendeu com as sensuais protagonistas da dança do ventre, coordenadas pela professora e dançarina Fabíola Coelho, que também mostrou no palco toda sua beleza e versatilidade.

A dança dos elementos com uma bela coreografia apresentada pelo grupo de idosos do CRAS Tempo de Viver, de Sentinela do Sul, foi um dos momentos que mais emocionou a plateia. O roteiro se encerra com a busca do quinto elemento, com uma coreografia conduzida pela professora Daiane Ávila, que mais uma vez entra em cena para propor uma reflexão sobre a descoberta desta quinta essência, que está dentro de cada ser humano.

Em meio às coreografias sobre os quatro elementos houve a participação especial do jovem Júlio César dos Santos mostrando sua habilidade no street dance e na dança de abertura do espetáculo. O casal de bailarinos Gislene Rosa e Rodrigo Vargas, de Porto Alegre e Gramado respectivamente, simplesmente deu um show de técnica e sensualidade, nos números de bolero e tango. Foram momentos de encantamento onde o público correspondia aplaudindo a cada novo número.

No final a professora Daiane Ávila fez um agradecimento especial ao público, e em particular aos pais e familiares dos alunos que prestigiaram o espetáculo. O Quinto Elemento entra para a história cultural da cidade como o primeiro trabalho genuinamente camaquense exibido em um palco reunindo artistas profissionais e iniciantes das mais diferentes idades.

 

A dança de Daiane

A professora e coreógrafa Daiane Ávila (foto), diretora da Movimente Espaço Criativo, assinou o roteiro do espetáculo “O Quinto Elemento”, que mescla acima de tudo a arte da dança e da poesia. Uma obra de imensa qualidade, que merece ser exibida nos palcos de outras cidades.

Aliada a produção textual sua plasticidade na condição de dançarina encantou a todos. Resumindo - uma artista de alto nível pronta para voos maiores. Independente dos ‘tombos’ que a vida nos apresenta, mesmo àqueles no palco, como diz a canção “levantar é preciso”, ainda mais levantar-se com tamanha desenvoltura, levando grande plateia a acreditar que a queda fazia parte do script.

Em sua página no facebook ela escreveu:Há uma frase que tem sido o meu lema há anos: “quem perde o telhado, ganha as estrelas”. É através desta constelação de artistas e conexões, que eu tenho visto o céu de uma forma mais intensa, mais espiritual e muito maior. É pra lá que eu vou... voar cada vez mais alto!
O céu é o limite e sempre será!

Fotos: Divulgação

Violonista camaquense morre em Caxias do Sul


23/07/2017 -

O jovem e talentoso músico camaquense Daniel Lopes de Barros, 31 anos, faleceu no dia 14 de julho, em Caxias do Sul, vitimado por um câncer no pulmão. Neto do tradicionalista e comunicador Bonifácio Barros, que recentemente completou 80 anos, o violonista era filho do cantor Daniel Barros e de Suzana Lopes Cristiano, além de ser sobrinho do poeta Bira Lopes, e ter contado com a amizade franca do padrasto João Carlos Cristiano.

Natural de Camaquã, onde nasceu em 03 de novembro de 1985, ele estudou na escola São João Batista e no Colégio Sete de Setembro, e nesta época descobriu o violão. Muito humilde e dedicado ele sempre falava com carinho de seus professores Álvaro Santestevan, Adoiles Pacheco, Joãozinho Índio e Daniel Sá.

Embora com pouca idade começou cedo a dar aulas do instrumento, e teve muitos alunos em Camaquã, Farroupilha e Caxias do Sul, onde formou-se em Administração. Em sua trajetória integrou vários grupos nativistas, e conquistou inúmeras premiações em concursos de violão, representando o CTG Camaquã, os Guapos e o CTG Sentinela Farroupilha.

Com o irmão Maurício Lopes de Barros formou uma dupla nativista apresentando-se em diversos eventos, e durante sete anos tocaram no Paiol Espaço Nativo, em Caxias do Sul. No ano passado esteve no programa Sr. Brasil da TV Cultura (SP), apresentado pelo ícone da cultura brasileira Rolando Boldrin. Na oportunidade juntamente com os músicos Rafael De Boni (acordeon) e Airton Lima (baixolão), ele acompanhou seu pai o cantor Daniel Barros.

Atualmente, Daniel trabalhava na condição de funcionário público na prefeitura de Farroupilha. Na Casa da Criança ele atuava como professor de música ensinando crianças e adolescentes a tocar vários instrumentos musicais. Ele parte deixando a esposa Vanessa Novaski e o pequeno Otávio Novaski de Barros.  Um violão que silencia no momento em que o jovem pai mostrava os primeiros acordes para o filho que tanto sonhara ter.

Foto: Divulgação

COLUNISTA

Catullo Fernandes

Poeta, editor e pesquisador Diretor da Criarte Marketing & Eventos